segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ética Pública - Reforma , Teologia e Ética Social

           Ao analisarmos o mundo em que vivemos conseguimos detectar um dos grandes problemas da humanidade, uma tendência que se espalha por todo planeta devido ao mundo globalizado e capitalismo desenfreado, principalmente em lugares onde raízes tribais se perderam, seria a idéia e prática do individualismo. Esse sistema ou modelo de vida individualista é um grande câncer no meio da humanidade, um mal que assola tanto as pessoas em seu cotidiano, quanto também assola o povo de Deus. As instituições eclesiásticas não conseguem se livrar deste mal, têm dificuldades, na maioria das vezes não percebem esse problema. Muitos líderes cristãos usam o marketing deste ideal, os prazeres, as vitórias, os bens materiais e o glamour nos dias atuais fazem parte dos critérios de avaliação na relação com Deus e seu Reino. Devido essa forma de fé e práticas individualistas, criamos em nossas comunidades cristãs ambientes não favoráveis para o crescimento e desenvolvimento espiritual. Há uma busca de valores distintos dos valores do Reino de Deus, não conseguimos aliar as verdades com uma prática de vida de acordo com as coordenadas que Cristo nos deixou. Na realidade é aquela velha história cada um por si e Deus por todos, ditado popular que parece moda entre nós, principalmente os evangélicos brasileiros que temos o evangelho como referência mas não praticamos com ênfase os valores que as Escrituras prezam.
         A reforma, teologia e ética devem andar juntas para busca do crescimento e amadurecimento do povo de Deus, não podemos nos conformar com uma teologia que não fale as necessidades reais, devemos lutar sempre por mudanças galgando novos pensamentos e práticas em prol de nossos contemporâneos. Não podemos ficar presos em teologias que não respondem as questões fundamentais de nossa geração, mas estar de acordo com o lema “ecclesia reformata et semper reformanda’’. Em relação ao preconceito contra a teologia, penso que é uma forma de líderes evangélicos legitimarem suas crenças, doutrinas e ideais, buscando sempre seus próprios interesses, não consideram os esforços que são feitos pelos estudiosos em prol do conhecimento das Escrituras. Na verdade quanto mais leigo seu rebanho, mais fácil de manipulação, ensinos falsos, promessas e enganos fazem parte dos lobos devoradores de ovelhas. Isso porque ainda não entramos na questão do discipulado nas Igrejas, que há muito tempo vem sendo esquecido pelos pastores que não cuidam de suas ovelhas.
        Para uma construção teológica mais coerente devemos em busca da reforma reunificar nossa fé, teologia e ética, precisaremos na verdade deixar nossas arrogâncias de lado em prol de uma causa maior que é a obra de Deus neste mundo. Precisamos com discernimento e maturidade buscar a vontade de Deus, não apenas para discutirmos doutrinas e dogmas, mas galgar uma ortopraxia que seja modelo e referência para os povos sem o conhecimento de Deus. Devemos tomar cuidado com nossas práticas que precisam ser repensadas no dia-a-dia, a fonte desse discernimento cristão de acordo com o texto é a Palavra de Deus, e o Espírito Santo convoca-nos a agir, portanto a teologia é uma atividade teórica e prática. Não podemos mais fantasiar nosso evangelho, com práticas infantilizantes e emocionalistas, que não conseguem satisfazer as reais necessidades do Reino de Deus. Nós como teólogos devemos articular em nossas comunidades eclesiais diálogos que possam trazer melhorias, buscar alternativas que ajudem os cristãos a serem pessoas amadurecidas e prontas para desenvolverem seus trabalhos nas comunidades. Não podemos se afastar do povo de Deus, mas responder com mente reflexiva as questões fundamentais do Reino, prontos para um futuro promissor resgatando os ideais e valores do Reino de Deus .
        A reforma, teologia e ética devem fazer parte dos elos dessa corrente, cada elo dessa corrente formam uma união perfeita para a construção do Reino de Deus.

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